No Dia Internacional da Terceira Idade

Sebastião entrou na universidade e atua como advogado. Thereza e Ana descobriram o prazer de viajar. Margarida encontrou uma nova atividade em terras estrangeiras. Esse grupo de brasileiros com mais de 60 anos representa uma parcela crescente na população: idosos que vivem de forma ativa e fazendo planos. E esta segunda-feira, 1º de outubro, é uma data especial, pois marca o Dia Internacional da Terceira Idade, instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1990.

O Brasil tem cada vez mais motivos para comemorar a data: o país conta com mais de 20 milhões de pessoas acima de 60 anos, segundo dados do último Censo, realizado em 2010 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2000, esse número não chegava a 15 milhões, um aumento significativo para um espaço de 10 anos. 

NÚMERO DE IDOSOS NO BRASIL

Idade Ano 2000 Ano 2010
60 a 64 anos 4.600.929 6.509.120
65 a 69 anos 3.581.106 4.840.810
70 a 74 anos 2.742.302 3.741.636
75 a 79 anos 1.779.587 2.563.447
80 a 89 anos 1.570.905 2.486.455
90 a 99 anos 236.624 424.893
100 anos ou mais 24.576 24.236
Total 14.536.029 20.590.597
  • Fonte: IBGE - Censo Demográfico 2010

As principais razões para esse crescimento na população idosa brasileira são os avanços da medicina e o seu alcance, a maior preocupação com a qualidade de vida e o aumento da expectativa de vida. Tudo isso gera uma mudança no perfil da terceira idade, que está cada dia mais ativa, cuidando da saúde e fazendo planos para o futuro.

De acordo com Luciana Cassimiro, psicóloga do Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia (IPGG) e que desde 1994 atua com a terceira idade, a mudança no perfil do idoso vem acontecendo ao longo do tempo. "Essas pessoas nem se imaginavam chegando aos 60 ou 70 anos porque seus pais faleceram antes dessa idade, então tiveram que acompanhar as transformações da sociedade", explica Luciana. "Eles se tornaram mais ativos e flexíveis para lidar com este período curto e rápido de mudanças, passaram da máquina de datilografia para o computador", completa.

Toda essa necessidade de adaptação tem feito com que os idosos, após a aposentadoria, passem a fazer mais planos para o futuro, realizando aquilo que na juventude parecia impossível, como estudar, viajar ou trabalhar em uma área completamente diferente.

"Esta adaptação dos idosos a uma nova realidade não é fácil, pois eles podem sofrer muito", conta Luciana. A aposentadoria, por exemplo, se não for planejada, pode trazer um sentimento de inutilidade à pessoa, que de uma hora para outra sente ter perdido o seu papel na sociedade. 

Esse não foi o caso de Sebastião, Thereza, Ana e Margarida, citados no início da reportagem. Eles encontraram na terceira idade novas formas de aproveitar a vida e mostram que sempre é tempo de aprender. Conheça a seguir suas histórias.

Trabalhando após a aposentadoria

"No dia da colação de grau fiquei muito emocionado quando chamaram meu nome", conta Sebastião Gerônimo de Souza, morador da cidade de Campinas, interior de São Paulo. "Desde o tempo de escola eu tinha a vontade de estudar, mas não estudei porque naquele tempo tudo era mais difícil, só as pessoas abastadas conseguiam ir além do 4° ano", diz. Trabalhando como motorista de ônibus e caminhão, Sebastião relata que, quando transportava estudantes e via os seus livros, pensava em um dia voltar para a escola.

O BRASIL ESTÁ ENVELHECENDO

Embora o país ainda seja majoritariamente formado por jovens, esse quadro deve mudar radicalmente em 40 anos. Atualmente o Brasil ocupa o 79º lugar no ranking de países com maior população acima de 60 anos (considerando a proporção de idosos em relação ao número total de habitantes). Porém, segundo projeção do Banco Mundial divulgada em 2011, o percentual de idosos no Brasil vai triplicar até 2050, chegando a 29,7% da população. Isso significa que, em 2050, o Brasil terá, proporcionalmente, a mesma população idosa que hoje tem o Japão, país que ocupa a primeira posição no ranking*:
Posição País Percentual de idosos
Japão 29,7%
Itália 26,4%
Alemanha 25,7%
Suécia 24,7%
Bulgária 24,2%
79ª Brasil 9,9%
  • * Ranking do percentual de idosos em relação à população total de cada país (fonte: ONU, levantamento de 2009)

Foi exatamente o que ele fez. Escolheu um curso supletivo e concluiu com muita luta o ensino fundamental e o médio. Estudava à noite e trabalhava durante o dia. Uma das filhas estudava com ele quando sentia dificuldades com as tarefas.

Hoje com 80 anos, trabalhando ativamente como advogado cível e trabalhista, ele relembra como foi que decidiu, depois de aposentado, fazer uma graduação em Direito. "Prestei o primeiro vestibular e não passei, mas não desisti e na segunda tentativa passei na primeira chamada", afirma Sebastião.

Não foi fácil para ele chegar até a formatura, já que precisou interromper os estudos no 2° ano porque as mensalidades pesaram no orçamento. Voltou para o mercado de trabalho e, com a ajuda do novo chefe, voltou para a faculdade com tudo pago, o que ajudou Sebastião a realizar seu sonho.

Chamado carinhosamente de "Sebas" pelos colegas de faculdade, de quem recebia muito apoio, ele conta que muitos conhecidos achavam que ele não devia investir tanto em uma graduação naquela idade. "Mas eu aconselho que quem quiser estudar, que vá sem medo", conclui, animado.

Sebastião, aos 80 anos, faz parte do novo perfil do idoso, comprovado pelos números divulgados pelo Ministério do Trabalho. No último ano, aumentou em 11,45% a quantidade de pessoas acima de 65 anos no mercado formal. Foram 402.753 idosos trabalhando com carteira assinada em 2011, contra 361.387 em 2010.

 

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